“Todas as Coisas que Já Fiz”, uma distopia onde chocolate e café são ilegais

EM Distopia
Glauce
2 meses atrás

todas-as-coisas-que-eu-ja-fizLivro: Todas as Coisas que Já Fiz
Autor: Gabrielle Zevin
Tradutor: Maria Clara Mattos
Série: Birthright – Livro 1
Nota: 4,5/5
Editora: Rocco Jovens Leitores
Paginas: 384

Já pensou viver em uma época onde cafeína é ilegal e chocolate é contrabando vendido só no mercado negro?

“Não é trágico. Não é nada. Tragédia é quando alguém acaba morto. O resto são as pedras do caminho”

“Todas as Coisas que Já Fiz” é o primeiro volume da trilogia distópica “Birthright”, da autora Gabrielle Zevin, que se passa em 2083 em uma Nova York pobre, cheia de criminalidade, escassez de comida e racionamento de água e, fora tudo isso, a cafeína e o chocolate tornou-se ilegal no país. Anya Balanchine é uma garota de 16 anos que tem a responsabilidade de cuidar da avó doente, do irmão mais velho e da irmã mais nova sem que os outros descubram, enquanto vai a escola e tentar se esquivar de tudo que está relacionado ao negócio da família.

Anya é a herdeira por direito da chefia da máfia do chocolate nos Estados Unidos, os chocolates Balanchine são famosos e procurados no mercado negro pela qualidade, porém, depois do acidente que causou a morte da sua mãe e deixou o seu irmão com sequelas, e do assassinato do pai, Anya não quer ter nada com a máfia. Mas não tem como fugir do “que está no sangue”. Quando seu ex-namorado é envenenado ao comer um chocolate Balanchine, a culpa cai toda sobre ela, e seu recém envolvimento com o filho do promotor não irá facilitar a sua vida.

“Porque banir alguma coisa leva ao crime organizado. As pessoas sempre encontraram uma maneira de ter o que querem, e sempre vão existir criminosos dispostos a fazer com que isso aconteça.”

Adoro uma boa distopia, e essa não me desapontou, foi uma leitura rápida e fluída. O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista da Anya, que é uma garota racional que tenta ser prática e sempre tenta escolher a melhor decisão possível, pois aprendeu com o seu pai… Mesmo com toda essa racionalidade, em alguns momentos ela se deixou levar pela emoção, resultando em desfechos surpreendentes mas algumas vezes idiotas, fazer o que, às vezes, os pais tem ração.

“Meu pai sempre dizia que, se você sabe que uma opção vai ter um desfecho ruim, essa é uma opção idiota, ou seja, não é nem mesmo uma opção. e eu preferia pensar que meu pai não tinha educado uma idiota.”

Todos os personagens tem a sua importância na historia, seja para suavizar o momento, complicar a vida da Anya ou mostrar para ela que a vida não é só razão, que ela pode ser apenas a Anya. Mesmo sendo uma distopia, esse primeiro volume trata mais sobre interação familiar e dever, do que pontos distópicos que, creio eu, será abordado nos outros dois livros da trilogia.

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Cada capítulo do livro possui um título que te deixa intrigado, e diversas teorias podem ser formadas a partir do título se baseando no que vem acontecendo na história. No entanto, na maioria das vezes, a autora te surpreende mostrando que você não imaginou todas as teorias possíveis, deixando você ainda mais curiosa para saber o que vai acontecer.

Mas e aí, me responda, vocês conseguem se imaginar vivendo em um lugar onde é proibido consumir qualquer coisa que vá chocolate ou cafeína? Eu sei que eu teria alguns probleminhas.

Glauce
Sobre Glauce

Sagitariana que ama sua liberdade física e emocional. Uma Biomédica Imunologista de formação, que nutri um paixão não tão secreta pela Bacteriologia e Aviação.... Viciada em livros, sendo uma bookaholic por opção e paixão, que sonha com o brevê... Uma pessoa que se pudesse passaria a vida em curso, uma hora aqui outra lá.

 

COMENTÁRIOS

  • Lara Caroline

    Oi Glauce tudo bem?
    Deus me livre viver em um mundo onde chocolate fosse proibido, meu doce preferido da vida é chocolate. Gostei dessa história, tem um contexto bem diferente das outras distopias. Fiquei curiosa para ver mais sobre esse mundo, pois como você disse nesse primeiro livro ela foca mais na interação familiar. Ja quero ler e adorei a indicação.
    Beijos

    • Lara Caroline
    • Gláuce Volpi

      Nossa, seria horrível esse lugar!
      Pois é nesse ela lida mais com a familia, tentando proteger os irmãos dos “negócios da família”, e tentando fazer as coisas darem certo… Mas no próximo acho que vai mudar um pouco as coisas.
      Beijos.

  • Leonora Oliveira

    Nem consigo me imaginar sem cafeína e chocolate. O que faria nos meus momentos de TPM sem o chocolatinho para acalmar?
    No geral achei a história bem criativa em por o chocolate e cafeína como alimentos proibidos no novo mundo.
    Beijos!!

    • Leonora Oliveira
    • Gláuce Volpi

      Chocolate e cafeina, estão proibidos em alguns países, acho que o Brasil ficou fora dessa… Mas se fosse geral, seriamos cliente do mercado negro (Mafia do Chocolate e Mafia do Café).
      A historia é legal, estou esperando para ver como ela vai burlar essa proibição, já que ela não quer fazer nada ilegal mas também não consegue se livrar da herança de família.
      Beijos.!!!

  • Alessandra Fernandes

    O que seria do mundo onde o chocolate e a cafeína fossem ilegais? Vish, a terceira guerra?
    É uma distopia bem diferente. Jamais imaginaria algo assim em uma história. E esse suspense em saber quem matou o namorado deixa qualquer leitor com a pulga atras da orelha.
    E o chocolate da foto? Compartilha? kkk
    Bjos!

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