Em “O Guardião Invisível” conhecemos uma Espanha gélida e úmida

EM Resenhas
Glauce
3 meses atrás

o guardião invisivelLivro: O Guardião Invisível
Autor: Dolores Redondo
Tradutor: Maria Alzira Brum Lemos
Editora: Planeta
Páginas: 352
Nota: 4,5/5

“O Guardião Invisível” é o primeiro volume da trilogia Baztán escrito pela espanhola Dolores Redondo.

Amaia Salazar é uma inspetora da sessão de homicídio de Pamplona que fica encarregada de dirigir a investigação sobre um assassino em série no povoado de Elizondo, onde garotas estão sendo mortas e deixadas as margens do rio depois de ter as roupas cortadas e seus pelos pubianos depilados. Porém, além de lidar com a investigação em curso, Amaia terá que lidar com seus próprios fantasmas, já que Elizondo é a cidade que nasceu e cresceu, cuja qual tentou deixar para trás e esquecer o que viveu lá.

Esquecer é um ato involuntário. Quanto mais você quer deixar algo para trás, mais isso o persegue – William Jonas Barkley”

Quando me propuseram ler esse livro fiquei meio com um pé atrás, não por causa da sinopse, e sim pelo fato da autora ser europeia, confesso que isso é preconceito, mas as minhas experiências com autores desse continente não foram muito boas, consigo contar nos dedos os autores que se salvaram, porém, ainda bem que resolvi dar uma chance a essa espanhola, porque o livro é excelente.

Estamos acostumados que livros ambientados na Espanha se passem em Madri ou Barcelona, mas esse não. A história vai se passar Elizondo, um povoado de Navarra, uma comunidade parcialmente autônoma da Espanha, uma das regiões mais antigas da Europa, o que já a torna bem interessante, por se passar em um local pouco conhecido por nós.

“O Guardião Invisivel” é um thriller podendo ser classificado como policial e psicológico. O livro é narrado em terceira pessoa, o que dá mais liberdade para a história e alguns fatos por ter vários pontos de vista.

A autora conseguiu entregar um livro de thriller policial no qual o assassino não é exatamente o foco do livro. Ela conseguiu encontrar um equilíbrio entre os assassinatos e os acontecimentos paralelos. Exemplos desses acontecimentos paralelos são os fantasmas da Amaia, que através de flashs do passado nos mostras os horrores que sofreu durante a sua infância, o que acarreta em muitos segredos e uma relação complicada, em especial com uma das irmãs, que é uma pessoa amargura e ressentida, que acredita ser a única que sabe o que é ser responsável. Essa irmã é a personagem que eu odiei o livro inteiro de tão moralista e irritante que ela é.

… você teve escolha como tomo mundo, mas escolheu não escolher…”

Além construir uma excelente história policial, Redondo conseguiu acrescentar a cultura Basca na história sem deixar que ficasse com dados soltos e sem sentido ou que se destoasse e tirasse o foco do thriller policial, pelo contrário, ela conseguiu mesclar ambos com maestria. Nenhum dado, fato, lenda, personagem é mencionado por acaso, todos têm uma função, sendo para este livro ou para o livro seguinte, porque do meio do livro para a frente a autora vai dando pista e deixando ganchos para o livro 2 da trilogia.

O que torna um livro policial bom é o fato de não entregar o criminoso logo de cara, é ao longo da narrativa, com as pistas surgindo, o que nos faz duvidar de um personagem diferente a cada momento, nos levando a jurar que agora esse é o culpado, até que aparece a próxima vítima com a próxima pista acabando com a nossa confiança sobre o suspeito. E só descobrir quem é realmente o culpado quando a autora entrega quem é; isso nos faz viver a investigação junto com o investigador, saborear cada descoberta e criar teorias assim como o personagem. Afinal, nada mais chato que ler um livro policial, do qual na metade do livro já sabemos quem é o criminoso, porém, o personagem principal não sabe, daí vem o pensamento, “mas será possível que ele seja tão cego, está na cara quem é o culpado”. E em “O Guardião Invisível” eu só descobri quem é o culpado só no final, apesar de ter desconfiado dele em algum momento da narrativa, não foi uma coisa que diminuiu a surpresa da descoberta.

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Um ponto forte do livro é que a autora descreve com riqueza de detalhes as cenas dos crimes, os corpos das vítimas e a cultura Basca com suas lendas, crenças e culinária. Entretanto, um ponto que não gostei muito foi o ritmo do final do livro, senti que a autora correu com a narrativa depois da descoberta do assassino. Mas isso não diminui em nada o desejo pelo segundo livro, pois os ganchos para segundo livro já foram dados. Cruzando os dedos e torcendo para que a Editora Planeta traga os outros livros da série.

Glauce
Sobre Glauce

Sagitariana que ama sua liberdade física e emocional. Uma Biomédica Imunologista de formação, que nutri um paixão não tão secreta pela Bacteriologia e Aviação.... Viciada em livros, sendo uma bookaholic por opção e paixão, que sonha com o brevê... Uma pessoa que se pudesse passaria a vida em curso, uma hora aqui outra lá.

 

COMENTÁRIOS

  • Lara Caroline

    Oi Glauce, tudo bem?
    Eu gosto muito de histórias de investigação, e assim como você só gosto de descobrir quem é o assassino no final do livro, porque assim posso ir formulando as minhas hipóteses. Confesso que ri alto quando li que o assassino depilava as vítimas, tipo, qual a necessidade disso? hahaha
    Beijos

    • Lara Caroline
    • Gláuce Volpi

      Oi, Lara!
      Adoro historia de investigação, acho que já deu para perceber… Rsrsrs…
      Pior que a depilação tem um motivo, rsrsrs… E essa não é a parte mais estranha…
      Se você gosta de historias de investigação, vai gostar desse… E ele virou filme, estreou em março na Espanha.
      Beijos.

  • Leonora Oliveira

    Achei bacana o livro ser um thriller que pode ser classificado como policial e psicológico. Bem interessante essa mistura. Outro ponto que achei interessante é ver que o foco do livro não é o assassino. Gosto deste tipo de narrativa.
    Beijos!!

  • Alessandra Fernandes

    Por que esses seriais killers tem essas paranoias? Esses dias assisti um seriado em que o serial cortava as unhas das vítimas antes de matá-las. O.K.
    O Guardião Invisível já está na lista de desejados, pois gostei como a autora conseguiu produzir um thriller policial com a cultura Basca, cultura que por sinal não conheço. Essa é uma ótima oportunidade de conhecer, né?
    Bjos!