Depois de ler “Suzy e as águas-vivas”, o mar nunca mais parecerá inofensivo

EM Drama
karina
1 mês atrás

downloadLivro: Suzy e as águas-vivas
Autor: Ali Bejamin
Tradutor: Cecília Camargo Bartalotti
Editora: Verus
Páginas: 223
Notas:5/5

Normalmente eu adoro livros narrados por crianças, gosto da maneira simples e direta como os fatos são narrados e construídos nos pensamentos infantis, e com Suzy e as águas vivas não foi diferente, esse é um livro delicado, simples, triste e lindo; o plot nos conta a história da Suzy e a sua melhor amiga Franny. Suzy está na pré-adolescência e acompanhamos a jornada de Suzy depois da morte repentina de Franny num afogamento durante as férias.

A morte de qualquer pessoa próxima a nós já nos abala, agora a morte de um amigo quando ainda somos crianças pode ser ainda mais complicado. Suzy não acredita que Franny tenha morrido afogada, afinal sua amiga era uma excelente nadadora e é num passeio da escola ao aquário que Suzy descobre uma espécie de água-viva letal, que ao atingir uma pessoa a mata em questões de minutos.

Uma água-viva, se você olhar para ela por tempo suficiente, parece um coração batendo… A sra Turton diz que, se a gente viver até os oitenta anos, nosso coração baterá três bilhões de vezes. Fiquei pensado nisso. Três bilhões de anos atrás, e a própria vida mal teria começado a existir. Mas aí está seu coração, fazendo o trabalho dele o tempo todo, uma batida atrás da outra, até chegar a esses três bilhões.
Mas só se a gente viver todo esse tempo.
Porque alguns corações batem apenas uns 412 milhões de vezes. O que pode parecer muito. Mas a verdade é que isso mal chega a doze anos.

Lidando como luto à sua maneira Suzy para de falar, pois acredita que as palavras muitas vezes são usadas de formas errada e desnecessária, o que ela quer mesmo é investigar cientificamente a teoria que sua amiga foi atacada por uma água-viva mortal. Os pais de Suzy (embora tenham se divorciado recentemente) junto com o irmão lidam com muita sensibilidade esse assunto e estão sempre presentes quando Suzy precisa.

O livro apresenta 2 tempos na linha narrativa. O presente, no qual Suzy está lidando com a morte da amiga, e o passado no qual narra quando Franny ainda estava viva, o que nos faz entender o porquê ela era tão importante para Suzy. No momento da morte de Franny, Suzy e ela já haviam se distanciado um pouco por pensarem diferente, então além da vontade de entender o porquê isso aconteceu, Suzy encara essa investigação como um pedido de desculpa a amiga.

Se eu soubesse, teria pedido desculpas pelo jeito como as coisas aconteceram. Teria pelo menos dito adeus. Mas a gente nem sempre percebe a diferença entre um novo começo e um fim do tipo para sempre. Agora era tarde demais para consertar qualquer coisa.

A escrita é fluida, o que torna a leitura bem rapidinha. Com o uso de palavras simples que impactam e constroem uma linha de raciocínio incrível, a autora nos presenteia com muitos quotes que nos faz refletir bastante. Durante o desenvolvimento do plot, a personagem cresce de maneira gradual, à medida que ela cresce, percebe que as pessoas crescem numa velocidade diferente por vezes mais rápidos ou mais lentos. No meio do caminho, Suzy conta com Justin, um garoto que tem déficit de atenção e que é tão fofo quanto a Suzy.

O que você e eu entendemos, Jamie, é que ter veneno não torna uma criatura má. Veneno é uma forma de proteção. Quanto mais frágil o animal, mais ele precisa se proteger. Portanto, quanto mais veneno uma criatura tiver, mais devemos ser capazes de perdoá-la. Elas são as que mais precisam do veneno.

Esse é sem dúvida um livro recomendado para qualquer faixa etária, e aborda de maneira sutil as mudanças que acontecem mesmo quando não estamos prontas para ela, o que nos leva ao amadurecimento, passando pelo luto, até chegarmos ao aprendizado; logo é merecedor do selo de coração quentinho.

karina
Sobre karina

Biomédica por formação , bookaholic por paixão !

 

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