Especial Mulher: O Papel de Parede Amarelo – Charlotte Perkins Gilman

EM Clássico
karina
4 meses atrás

O-Papel-de-Parede-AmareloLivro: O Papel de Parede Amarelo
Autor: Charlotte Perkins Gilman
Tradução: Flávia Yacubian
Nota: 4/5
Editora: Balão Editorial
Páginas: 112

“O Papel de Parede Amarelo” é um conto clássico da literatura feminista, que conta a história de uma mulher sem nome que vive nos padrões do século XIX, em um casamento com um filho recém-nascido e que sofre de “problema de mulheres” ou histeria feminina como eram tratados a maioria dos problemas de cunho mental (o que, na minha interpretação, claramente seria um quadro de depressão pós-parto), que foi diagnosticada pelo marido e pelo irmão, ambos médicos. Para tratá-la, eles se mudam temporariamente para uma casa reclusa no campo, para que ela esforce se ao menos possível, tanto física quanto mentalmente.

“Nunca na vida vi um papel tão feio. (…) A cor é repulsiva, quase revoltante; um amarelo enfumaçado e sujo, estranhamente desbotado pela luz do sol.”

Não suficiente o marido escolher pela reclusão da esposa, ele também escolhe o quarto onde ela deveria ficar; esse quarto tem um papel de parede amarelo que a angustia, com o desenvolver do conto narrado, a esposa de John relata que gostaria de sair do quarto porque não gosta do papel de parede, que o papel parece ganhar vida como se algo quisesse sair de dentro do papel ou que estivesse preso a ele; mas como tudo nessa relação, o marido diz que não é necessário, que está tudo sobre controle e que ela está fantasiando sobre o papel, que ela é ingênua e tola, desacreditando a ao máximo.

“John é muito atencioso e amável, não permite que eu dê um passo sequer sem instruções especiais.”

A leitura apesar de ser rápida é incomoda, esse é um conto denso, que depende muito da compreensão do leitor e das referências que cada um carrega consigo, o suspense/terror é muito semelhante aos encontrados nos contos criados por Edgar Allan Poe, embora “O Papel de Parede Amarelo“ não tenha nada de sobrenatural ; aqui acompanhamos nada mais do que uma narrativa de colapso mental, de como a exclusão, a solidão e os costumes machistas podem destruir a sanidade de uma pessoa; a situação é totalmente absurda , mas talvez seja suficiente lembrar que o livro foi originalmente escrito em 1892, o que faz dele um retrato inteligente entre a relação entre marido e mulher no século XIX .

“Tenho a impressão de que não vale a pena esforçar-me por nada, e estou ficando terrivelmente impaciente e lamuriosa. Choro por qualquer coisa, e a maior parte do tempo. Naturalmente, não faço isso quando John ou qualquer outra pessoa está por perto, apenas quando estou sozinha.”

Essa é uma leitura extremamente válida para entender como as coisas funcionavam, o quanto as coisas já melhoraram e o quanto ainda devemos lutar por igualdade; essa é sem dúvida uma obra importantíssima para quem têm interesse em iniciar leituras sobre a emancipação e os direitos das mulheres; o final do conto é de arrepiar, como um soco no estômago.

karina
Sobre karina

Biomédica por formação , bookaholic por paixão !

 

COMENTÁRIOS

  • Lara Caroline

    Oi Karina, tudo bem?
    Eu gosto muito de assuntos sobre o feminismo, mas eu fico muito irritada quando leio/vejo algo sobre maus tratos as mulheres e todo esse machismo. Simplesmente não consigo engolir. O conto tem uma história super interessante, mas não sei se conseguiria ler, porém fiquei curiosa rsrs
    Beijos

  • Alessandra Fernandes

    Gosto de histórias, principalmente contos, que exploram o psicológico dos personagens. Esse, além disso, ainda tem uma crítica muito interessante, principalmente sobre o feminismo. Gostei da proposta do livro e espero ler um dia.
    Xoxo!