“Último Turno” caiu na maldição e se perdeu no próprio fechamento

EM Resenhas
Leticia
3 meses atrás

Ultimo-Turno-Stephen-KingLivro: Último Turno
Autor: Stephen King
Série: Bill Hodges – Livro 3
Nota: 3/5
Editora: Suma de Letras
Páginas: 384

Sabe aquela ‘maldição’’ das trilogias, séries e etc? Então, sinto informar, mas nem o rei se livra dela…

Bill Hodges em companhia de Holly Gibney – sua parceira na Achados & Perdidos, empresa de investigação em que são sócios – começam a investigar um suicídio um tanto curioso envolvendo uma vítima de Brady Hartsfield, vulgo assassino do Mercedes, que matou e feriu muitas pessoas há anos atrás. A vítima, Martina Stover, morava com a mãe e foi morta pela mesma, que logo em seguida se suicidou, mas estranhamente não houve um bilhete de despedida ou de desculpas pelo que fez, apenas um Z, escrito na mesinha do banheiro.

Mas não somente os detalhes não se encaixam nesse suposto suicídio, como Bill tem absoluta certeza que Brady está envolvido, mas não haveria como, já que supostamente O Assassino do Mercedes está em estado vegetativo. Senão bastasse tudo isso, Hodges começa a sentir o peso da idade e as consequências de seus descuidados consigo mesmo durante muito tempo.

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Eu realmente iniciei essa leitura esperando muito, o máximo de expectativa possível, já que as anteriores supriram bem todo o meu anseio pelas obras do Rei, mas as expectativas foram morrendo aos poucos e chegou ao ponto em que King desandou com tudo e, ao meu ver, estragou um pouco uma trilogia que tinha tudo pra ser fechada de forma esplêndida.

Fiquei perdida em mais da metade da leitura sem saber o porquê do suspense investigativo, algo mais na linha policial; foi de forma abrupta para o sobrenatural. Talvez para dar certa explicação ao que acontecia ou talvez pra poder reinserir o seu maior vilão da trilogia, novamente na história sem tudo parecer um milagre estranho. Porém, foi um tiro certeiro no pé, a história em um contexto geral ficou sem pé nem cabeça, a reviravolta na verdade foi a introdução de um elemento não cabível. King se mostrou menos versátil e partiu para forma fácil de escrever, mais ao seu estilo e menos arriscado, e talvez isso tenha sido o maior problema da obra.

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Outro ponto negativo na obra foi o desenvolvimento de Bill nesse último livro; Bill passou de policial fodão a um simples senhor de idade que até mesmo ao custo de sua vida, iria atrás de Brady apenas pelo prazer de finalmente fazer justiça, da forma que não conseguiu anteriormente. Senti que faltou mais ênfase nele e na sua linha de pensamento investigativo.

Mas bem sabemos que quando se trata do autor nem tudo é perdido, apesar do elemento sobrenatural inserido sem sentido algum na obra, assumo que King escreve com maestria dentro das possibilidades do gênero, o que pode ser positivo dependendo das expectativas que você tem em relação a obra, e logicamente a escrita do autor. Achei instigante também a forma como o assunto suicídio foi introduzido na obra, não somente pela ótica de um sociopata que tinha prazer nisso, mas também no ponto de vista das vítimas dele, ler seus pensamentos e motivações me fez sentir o peso dessa sensação de desejar a morte por dores, muitas vezes causadas por motivos externos a essas pessoas, e vinculados normalmente aos preconceitos e marginalizações sociais.

“Ele começou a entender o que era a felicidade: a versão emocional das regiões oceânicas de calmaria, onde todos os ventos desapareciam e a pessoa só flutuava.”

De um modo geral a obra não é de todo mal, poderia ser melhor? Logicamente! Mas não julgo o autor por recuar e acrescentar um gênero com que esteja mais familiarizado. Se continuasse na mesma linha de pensamento dos livros anteriores poderia ter feito um fechamento digno de sua fama, mas infelizmente tivemos uma obra que ao final da trilogia caiu na maldição e perdeu a essência inicial.

Leticia
Sobre Leticia

Fanática por HP e As Vantagens de ser Invisível, extremamente ciumenta com seus livros e amigos, tem uma cachorrinha chamada Neve que é o grande amor de sua vida, atualmente estuda psicologia e está cada dia mais fascinada pelo curso que escolheu.

 

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