“O Chamado do Monstro” vai fazer você pensar sobre seus próprios chamados

EM Fantasia
karina
4 meses atrás

O Chamado do MonstroLivro: O Chamado do Monstro
Autor: Patrick Ness
Ilustrações: Jim Kay
Tradução: Antônio Xerxenesky
Nota: 5/5
Editora: Ática
Páginas: 214

A ideia original dessa história foi criada pela escritora Siobhan Dowd, que faleceu antes de poder completar, então Patrick Ness recebeu a proposta de desenvolver a trama. Quando eu cheguei na última página tive a plena certeza de que onde estiver Dowd, ela estará cheia de orgulho do resultado final.

“Você não escreve sua vida com palavras, você escreve com ações. Não importa o que você pensa. Só importa o que você faz.”

“O Chamado do Monstro” contém 2 edições disponíveis no Brasil, uma delas com o título de “Sete Minutos Depois da Meia-noite” (título esse que também dá nome a adaptação cinematográfica). Minha leitura foi feita na edição da Editora Ática, que é uma edição ilustrada por Jim Kay (o mesmo ilustrador dos livros da edição de colecionador de Harry Potter), e isso com certeza potencializou toda a minha experiência de leitura; as páginas que contém as ilustrações nos “puxa” para dentro da história e nos situa de maneira inacreditável no que diz respeito as sensações dos personagens.

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O plot da história gira em torno de Conor, um garoto de 13 anos que tem passado por muitas dificuldades. Seu pai abandonou a família e agora vive em outro país e com outra família a qual parece dar muito mais importância do que dá a Conor; sua mãe, que é com quem ele tem o único vínculo de afeto sincero e correspondido, tem uma doença e está em estado terminal. Por conta da doença dela, Conor se afastou da maioria de seus colegas e é quase invisível na escola, só não é completamente invisível pois sofre todos os dias com um trio de garotos que pratica Bullying com a situação que ele vive em casa.

“Histórias são coisas selvagens, disse o monstro. Quando você as deixa à solta, quem sabe os estragos que podem causar?”

Para completar, Conor não se dá bem com a avó (já que ambos têm personalidades completamente opostas) e ela faz questão de manter um abismo emocional entre eles, mas por conta do agravamento da situação da mãe essa aproximação da avó se torna cada vez mais inevitável; no meio de todo esse caos, Conor recentemente tem tido pesadelos recorrentes com um monstro. Esses pesadelos acontecem sempre as 00:07 e Conor recebe a visita de um monstro, esse que assume a forma da árvore de seu quintal e diz que precisa contar a ele três histórias, quando a terceira história for contada será a vez de Conor contar a quarta e última história, e o monstro não aceitará nada menos que a verdade vinda dele.

“Às vezes as pessoas precisam mentir para elas mesmas, mais do que para qualquer outro.”

O livro é o mais perfeito sinônimo de um conto de fadas moderno que usa e abusa de realismo mágico, metáforas e fábulas que muitas vezes Conor não entende e questiona. O livro transcorre entre os dias que Conor tem que enfrentar na escola, as idas e vindas de sua mãe do hospital, já que ela está piorando cada vez mais, a visita do pai e a aproximação forçada com a avó.

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Durante a leitura você se pega envolvido num clima de tensão, como se algo não estivesse sendo contado; da maneira que Conor não entende muito bem de onde e para que o Monstro veio, me peguei imaginando o desenvolver da história. Essa é uma história de como pessoas lidam de diferentes maneiras com o processo de dor e perda, de como a mente nos faz caminhar de encontro com a verdade que lutamos em não aceitar.

“Nem sempre há um bonzinho. Nem sempre há um vilão. A maior parte das pessoas fica entre um e outro.”

É até fácil supor o que o final nos reserva, a gente só não consegue se dar conta do quanto de empatia que vamos construindo ao longo das páginas, mas isso em momento nenhum faz o livro menos importante ou empolgante. Essa é sem dúvida uma daquelas histórias sensíveis e necessárias que embora seja classifica como juvenil é atemporal e para todas as idades, uma leitura que fica com você muito depois de você ter lido. E a lição que fica é sejam quais forem os seus monstros, não tenha medo de enfrenta-los, até porque a verdade pode até doer, mas ela é inevitável.

karina
Sobre karina

Biomédica por formação , bookaholic por paixão !

 

COMENTÁRIOS

  • Lara Caroline

    Oi Karina, tudo bem?
    Desde que eu vi este livro pela primeira vez, me senti atraída pelo título que chama bastante atenção. Essa edição da Editora Atica parece ser bem rica em detalhes, e as ilustrações deve nos fazer sentir cada pedacinho da história.
    Beijos