“Jackie” é o surgimento de uma “lenda”

EM Cinema
Glauce
4 meses atrás

jackieJackie (Jackie – 2016)
Direção: Pablo Larraín
Elenco: Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Greta Gerwig, Billy Crudup, John Hurt, Richard E. Grant, Caspar Phillipson, Beth Grant, John Carroll Lynch, Max Casella, Sara Verhagen, Hélène Kuhn, Deborah Findlay, Corey Johnson
Nota: 4/5
Distribuição: Diamonds Films
Duração: 100 min
Estreia: 02 de fevereiro 2017

Mais uma cinebiografia que chega nas telonas, e essa ainda rendeu a indicação ao Oscar de melhor atriz para Natalie Portman. “Jackie” é um drama que vem retratar o ponto de vista de Jacqueline Kennedy, ex-primeira dama dos Estados Unidos, sobre o assassinato de John F. Kennedy (JFK) até o seu enterro ocorrido no final do ano de 1963.

Jackie, semanas após o assassinato de JFK, recebe um jornalista em sua casa a qual concede uma entrevista onde espoem os fatos que ocorreram depois da morte de seu marido. O longa se passa entre flashs de memória e presente, onde vemos uma mulher abalada, mas que se nega a transparecer isso ao público, nos momentos em que impede o jornalista de escrever determinadas frases ou demonstração de sentimento.

Jackie2

Natalie Portman se esforçou para encarnar Jackie, copiando seu modo de falar e trejeitos, e na maioria do tempo a personagem floresceu e conseguimos nos desligar da atriz, porém, em alguns momentos o esforço da atriz é evidente, devido a direção de Larraín que tende a todo momento manter a Portman em close-up ou centralizadas nas cenas, capturando sua feição e reação, o que tornou em alguns momentos o sotaque carregado e a fala ritmada muito forçado, perdendo a harmonia entre eles.

Esse modo de direção de câmera de Larraín serve para aumentar a parte emocional, já que todas as reações e sentimentos de Jackie são mostradas de perto, exigindo muito pela parte da Portman que não tem para onde correr, e foi esse fator que contribuiu para sua indicação ao Oscar. Jackie Kennedy era um ícone de moda e elegância, e isso foi demonstrado nos figurinos utilizados, em sua maioria em cores pastéis, o que retrata o utilizado na época.

Jackie-Natalie-Portman

A trilha sonora, mesmo sendo clichê, em determinados momentos se mostrou excelente mesmo soando alta e chegando a incomodar em algumas cenas, porém em sua maioria conseguiu demonstrar os sentimentos da personagem em momentos em que a mesma tentava esconder, um exemplo é o caso na hora de cantar parabéns do aniversário de 3 anos do John F. Kennedy Jr.

Outro detalhe com relação à fotografia está no contraste e na qualidade das imagens, o longa dá um ar de documentário antigo, através da utilização de um efeito granulado leve, dando a crer que a imagem seja antiga, passando veracidade com relação à época, o que é muito importante ainda mais quando algumas cenas de “A Tour of the White House with Mrs. John F. Kennedy” foram recriadas.

Todas essas coisas não muda o fato do filme ter um ritmo lento, “Jackie” vem contar o surgimento de uma lenda. O JFK pode não ter ganho a Guerra Civil, nem assinado a abolição da escravatura, mas é lembrado até hoje pelo fato de Jackie se recusar que a tragédia fosse mais uma entre outras que se abateram. É a partir daí que surge Camelot, uma terra idealizada, citada por Jackie ao longa da narrativa e entoada através da trilha sonora. Pois, segundo Jackie, “Haverá outros presidentes bons novamente, mas nunca haverá outro Camelot”.
Assista ao trailer.

Glauce
Sobre Glauce

Sagitariana que ama sua liberdade física e emocional. Uma Biomédica Imunologista de formação, que nutri um paixão não tão secreta pela Bacteriologia e Aviação.... Viciada em livros, sendo uma bookaholic por opção e paixão, que sonha com o brevê... Uma pessoa que se pudesse passaria a vida em curso, uma hora aqui outra lá.

 

COMENTÁRIOS

  • Lara Caroline

    Oi Glauce, tudo bem?
    Adoro indicações de filmes, vou sempre anotando na minha lista imaginária para assistir mais tarde. Achei bem interessante este filme por contar a história de Jackie que até então eu conhecia muito pouco.
    Beijos

  • Alessandra Fernandes

    Glauce, eu não tinha conhecimento sobre o filme, e assim que conclui a sua crítica, não poderia estar mais desejosa em assistir também.
    O presidente John F. Kennedy é, realmente, até hoje lembrado por muitos e ver o depois de sua morte através da vida da esposa, transforma a trama irresistível.
    Assistirei, sim.
    Bjs!