Debate sobre política vs religião faz de Fullmetal Alchemist um mangá para qualquer tipo de leitor

EM HQ/Graphic Novel
Glauce
4 meses atrás

Fullmetal-Alchemist4Livro: Fullmetal Alchemist – Vol. 1, 2 e 3
Autor: Hiromu Arakawa
Tradutor: Karen Kazumi Hayashida
Editora: Editora JBC
Volume: 07 lançados até o momento
Nota: 5/5

Quase 6 anos após o término da sua publicação aqui no Brasil a JBC Editora relança Fullmetal Alchemist (FMA). Diferente da edição anterior que era no formato meio-tanko com 54 volumes, a nova edição está no formato tankoubon, ou Edição Especial de Colecionador como a editora o está chamando, e contará com 27 volumes, o mesmo número de volumes japonês. Escrito por Hiromu Arakawa, o mangá é do gênero shonen.

Não sabe o que é shonen? Eu explico. Shonen são mangás onde o público alvo é o sexo masculino. Mas isso não significa que as histórias não façam sucesso com o público feminino. Porém, esse mangá foge um pouco do convencional para o gênero shonen, todas as lutas apresentadas ao decorrer da história são necessárias, a alquimia é algo científico e explicado, o que desvia um pouco do gênero se comparado com outros títulos do gênero. Onde lutas são inseridas apenas por ser um Shonen, e com poderes que estão ali pelo simples fato de ser útil em batalhas.

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FMA vai narrar a busca dos irmãos Elric pela pedra filosofal, para poderem recuperar seus corpos. Os irmãos Elric quebraram o maior tabu da alquimia ainda quando criança, ao tentaram a transmutação humana para ressuscitar a mãe, e como resultado Edward teve a sua perna esquerda “levada” enquanto o corpo de seu irmão Alphonse foi “levado”, e na tentativa de ter seu irmão de volta, Edward realizou a transmutação de alma, prendendo a alma de Alphonse em uma armadura em troca de seu braço direito. Essas trocas e perdas se dá pela lei primária da alquimia – a Lei da Troca Equivalente: “Para se obter algo, algo a altura tem que ser sacrificada”. Eles perceberam que o único meio de conseguirem o que perderam de volta é através da pedra filosofal, que permite quem a use burlar a lei da troca equivalente.

O mangá tem uma ambientação baseada na Europa pós-Revolução Industrial, e tem como temática a alquimia. No primeiro volume da série já começa com a polêmica disputa Religião X Ciência, e essa questão de religião e ciência se estenderá ao longa da série, por serem alquimistas (cientistas) os personagens tem uma visão ateísta, e é essa visão que o mangá irá seguir, se opondo a religião.

“ Nós alquimistas, somos cientistas. Não dá pra ficar acreditando em coisas subjetivas como um Deus ou Criador. Nosso objetivo é decifrar todos os princípios e leis que regem este universo, na nossa busca infinita pela verdade”

No volume 2, somos levados a pensar nos nossos próprios avanços na área da ciência, alguns obtidos através de experimentos que ultrapassaram a ética. Alguns trechos nesse volume nós faz lembrar e comparar os experimentos feito em humanos pela Alemanha Nazistas e os experimentos animais realizados pela União Sovietica, e só resta a nós questionar até que ponto isso é bom e correto.

Como no gênero já mencionado no começo, shonen tende a ter algumas características predominantes, mas como o FMA foge um pouquinho delas, no volume três temos uma demonstração mais acentuada de uma característica que não é tão comum nesse gênero, é a obtenção de conhecimento e poder através da leitura. Diferente de outros que acredita que a obtenção de poder e força é feita através de combates físicos. Temos também a quebra do estereótipo ao colocar duas personagens do sexo feminino como mecânicas de automail, já que na vida real esse cargo é exercido por sua grande maioria por homens. E para quem gosta de romance, torcer por um possível envolvimento entre o Ed e a Winry.

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Nenhum personagem na série é desnecessário, todos tem uma função, okay, nem todos tem 90% de importância, já que tem aqueles que estão na história para fazer volume a quantidade de mortos na lista do criminoso. Mas se levar em conta todos os personagens principais e secundários, aí sim, todos em algum ponto da história terá algo de relevante.

O mangá não é luta, sangue, pesquisa e busca, em alguns momentos a autora coloca algumas cenas, falas para descontrair, e não deixar a leitura tão pesada. Essas partes engraçadas são mais evidente nas partes extra e tirinhas que tem no final de cada volume. FMA é um dos meus mangás/anime favoritos, quase dei pulinhos de felicidade quando vi que a JBC iria relançar eles em formato tankoubon. Se você não conhece, corre que ainda dá tempo de acompanhar, vale muito a pena.

Ainda não foram lançados todos os volumes da Edição de Especial de Colecionadores, esse mês lançou o volume 7. Assim, que eu conseguir achar o vol. 4, porque a esperta aqui esqueceu dele, e comprou o 5 e 6 quando foi ler percebeu que não tinha o 4, porque sim, sou dessas que deixa acumular uma certa quantidade antes de pegar para ler, então quando eu conseguir o 4 eu volto com a resenha dos volumes que já tiverem sido lançados.

Glauce
Sobre Glauce

Sagitariana que ama sua liberdade física e emocional. Uma Biomédica Imunologista de formação, que nutri um paixão não tão secreta pela Bacteriologia e Aviação.... Viciada em livros, sendo uma bookaholic por opção e paixão, que sonha com o brevê... Uma pessoa que se pudesse passaria a vida em curso, uma hora aqui outra lá.

 

COMENTÁRIOS

  • Lara Caroline

    Oi Yasmin, tudo bem?
    De tanto ver a Tamirez do Resenhando Sonhos citar esses mangas eu fiquei super curiosa para ler. Achei a história muito interessante e diferente do que se encontra por aí. Meu namorado disse que o Anime faz muito sucesso então a histíória deve ser boa mesmo. Quero muito poder comprar os volumes e acompanhar essa série.
    Beijos