Precisamos sobreviver “Um Dia de Cada Vez”

EM Drama
Glauce
3 meses atrás

Capa_Um dia de cada vez.inddLivro: Um Dia de Cada Vez
Autor: Courtney C. Stevens
Tradutor: Claudia Mello Belhassof
Nota: 5/5
Editora: Suma de Letras
Páginas: 232

“Eu nunca entendi que a vida pudesse ser tão drasticamente dividida, mas pode. E é. Só existe o depois. E o antes.”

Normalmente eu sempre faço um pequeno resumo da história, mas esse é o tipo de livro que você tem que ler e se entregar, e quanto menos informações você tiver dele, mais intensa será a leitura. Porém, não vou deixar vocês no escuro, segue alguns trechos da sinopse.

Alexi Littrell era uma adolescente normal até que, em uma noite de verão, sua vida é devastada. Envergonhada, a menina começa a se arranhar e a contar compulsivamente – uma tentativa de fazer a dor física se sobrepor ao sofrimento que passou a esconder de todos. Ela só consegue sobreviver ao terceiro ano do ensino médio graças as letras de música que um desconhecido escreve em sua carteira.
Bodee Lennox nunca foi um adolescente normal, mas agora é o menino que teve a mãe assassinada pelo pai. Alexi e Bodee, ao mesmo tempo em que fingem para o resto do mundo que está tudo bem, passam a apoiar um ao outro, tentando viver um dia de cada vez.

O foco do livro não é o possível romance com o Bodee ou o desconhecido da carteira, também não é o tipo de livro que será divertido. Comecei a leitura esperando encontrar um drama adolescente, porém, o que eu encontrei foi muito mais que isso, a autora Courtney C. Stevens relata através de sua escrita um mundo muito real. Uma realidade vivida sobre um assunto que faz parte do nosso dia a dia, mas que muitas vezes não percebemos.

“[…] nós dois somos um bazar confuso de emoções. Um centavo por dor. Dez centavos por amargura. Vinte e cinco centavos por sofrimento. Um dólar por silêncio. Isso nos une.”

A autora conseguiu me surpreender, ao longo da história ficamos sabendo o aconteceu com a Alexi, e tentado descobrir quem estava presente naquela noite de verão. As personagens são bem construídas, e vão evoluindo ao longo da narrativa. Courtney consegue mostrar de modo sútil, algumas vezes nem tanto, todas as facetas da dor da personagem.

O que me deixou triste ao término da leitura é saber que o que foi narrado realmente acontece, que milhares de garotas(os) sofrem com isso. E o que é pior, é que algumas se culpam pelo ocorrido e sofrem caladas.

“Não importa quanto eu arranhe, as palavras continuam na minha cabeça.
Se ao menos eu conseguisse fazer o lado de fora doer mais do que o lado de dentro.”

Eu acredito que o ponto principal, o foco do livro, é a reflexão, para perceber que os verdadeiros monstros não estão de baixo da cama ou dentro do armário, eles estão disfarçados de bons garotos(as), pessoas respeitadas, cruzando o nosso caminho sem nem mesmo nós dar conta. Mas que pessoas boas também existem. De que abuso não necessariamente tem que ser sexual ou violento, de que o abuso psicológico existe e é o que pode vir a durar mais tempo e causar mais danos. De que a “abusado” não é vítima, ela é uma sobrevivente. De que sofrer e chorar é valido, porém aquele momento não lhe deve definir.

Courtney ao final do livro deixa um recado aos leitores.

“Sei que um livro como Um dia de cada vez não apaga uma dor do tamanho do abuso, mas rezo para que ele sirva como um abraço, um pouco de amor e uma dose compartilhada de coragem. Você é amado(a) e valorizado(a). E você vai conseguir. Continue contando para afastar a escuridão!
Mas hoje é melhor do que ontem. E essa dor ainda é um buraco em mim, mas é um buraco que está diminuindo…”

Mais que uma história… O livro é um pedido de ajuda, é um grito para que pessoas tenham a coragem de se libertar e ver que mesmo após a dor e sofrimento elas podem e merecem ser felizes.

Glauce
Sobre Glauce

Sagitariana que ama sua liberdade física e emocional. Uma Biomédica Imunologista de formação, que nutri um paixão não tão secreta pela Bacteriologia e Aviação.... Viciada em livros, sendo uma bookaholic por opção e paixão, que sonha com o brevê... Uma pessoa que se pudesse passaria a vida em curso, uma hora aqui outra lá.

 

COMENTÁRIOS

  • Lara Caroline

    Oi Glauce, tudo bem?
    Nossa nem imaginava que o livro se tratava disto. Fiquei super curiosa para ler esta história que parece ser realmente muito boa. A capa mesmo contendo um rosto está bem bonita.
    Beijos