Um crime acobertado é o começo da história de “Mademoiselle Zaira”

EM Drama
karina
8 meses atrás

mademoiselle-zairaLivro: Mademoiselle Zaira
Autor: Mario Vicente
Nota: 3/5
Editora: Integração
Páginas: 192

Em “Mademoiselle Zaira” conhecemos parte da história do ponto de vista de um Feto que conta, a partir de uma carta anônima, o drama da mãe que, aos 15 anos, está aprisionada num convento após ser dopada e violentamente estuprada durante um baile de carnaval. Zaira, que pertence a uma família rica, conservadora e tem um pai ultra machista, só pode contar com a sorte, pois seu futuro e o futuro de seu filho é incerto. O romance é baseado em uma nota de jornal e acompanhamos durante o livro a saga de uma mãe para reestruturar a vida e reencontrar seu filho.

A muito tempo eu estava querendo ler algum livro que não fosse contemporâneo, que fosse de época (não necessariamente medieval) e em “Mademoiselle Zaira” temos uma história ambientada no Brasil do século XX (mais especificamente na década de 50 e no interior do Paraná), que aborda temas como abandono, violência, preconceito… é um romance bem estruturado (porque se conhecermos minimamente a história do Brasil, saberemos exatamente onde os personagens estão… o cenário é muito bem desenvolvido).

O plot é bem definido e narra a trajetória da uma adolescente para reencontrar o filho (a partir daí é muito sofrimento, muitas intrigas, vários desencontros e alguns reencontros); algumas questões sobre quem é quem na história é dedutível e se você lê com uma frequência razoável no meio da história você mata a charada de como as coisas podem vir a caminhar e quem é quem, então não espere por nenhum Plot Twist, mas isso não desmerece o livro e não faz com que você torça menos pelo sucesso dos personagens.

“[…]No mundo atual a mulher precisa adquirir conhecimento e ter coragem para não ser subjulgada as vontades masculinas.”

A narrativa é em primeira pessoa e nos apresenta dois pontos de vista, inicialmente temos o feto ainda na barriga (que narra a percepção dele da vida enquanto ainda está na barriga da mãe), descrevendo seu ponto de vista sobre a gravidez e as sensações provocadas pelas situações vividas pela mãe [achei essa narração muito interessante, foi a primeira vez que li uma história contada por alguém que ainda nem nasceu], e depois do nascimento temos a histórias focada e contada pela própria Zaira e o desenrolar pós parto .

A transição entre passado e presente, ou ainda entre Zaira e Feto, por vezes nos deixa confuso durante a leitura e eu como leitora queria mais aspectos psicológicos de todos os personagens (personagens mais complexos , mais diálogos que fizessem a ligação entre as cenas), mas isso não ocorreu; ainda acho que eles tinham muito a ser desenvolvido por conta das injustiças que foram cometidas e pelas situações que viveram no desenrolar da história, mas no final o livro cumpre seu papel de nos levar a pensar e refletir sobre o quanto já conquistamos com relação a direitos humanos/sociais e o quanto ainda temos por conquistar!

karina
Sobre karina

Biomédica por formação , bookaholic por paixão !

 

COMENTÁRIOS

  • Alessandra Fernandes

    Karina, eu achei muito interessante o livro que você nos apresentou. Ainda não o conhecia, mas logo que eu soube que se trata de uma trama cercada de temas fortes como o abandono, violência e preconceito, e a narrativa sendo contada por um feto, senti a vontade de ler também. Tenho certeza de que vou gostar, pois sempre me envolvo fortemente com este tipo de leitura.
    Bjs!

  • Vitória Santos

    Oi Karina,
    nossa fiquei interessada e chocada logo no começo por se tratar de uma livro que também é narrado pelo feto, nunca ouvi falar de nada nesse estilo, só de pensar em toda a injustiça que a menina viveu já me da uma nó na garganta. Esses livros mexem muito comigo.