“Jogos Mentais” frustra e conquista nessa ‘utopia’ que destruí qualquer forma de perfeição

EM Distopia
yasmin
1 ano atrás

Jogos-MentaisLivro: Jogos Mentais
Autor:
Teri Terry
Tradutor: Sandra Pina
Série: Jogos Mentais – Livro 1
Nota: 3.5/5
Editora: Farol Literário
Páginas: 480

Teri Terry consegue transformar, novamente, um mundo perfeito em uma zona de guerra contra a liberdade!

Nesta mistura de “Matrix” com “1984” somos apresentados a Luna, uma adolescente que além de ser considerada louca por conta da sua mãe e avó, ela se diferencia de todas as suas colegas de escola por ter se tornado uma Recusadora – alguém que não aceita implantar um chip neural da PareCo que possibilita a capacidade de viver no mundo real e virtual sem precisar se conectar a nenhuma interface. Porém, diferente do que todos imaginam, Luna se tornou uma Recusadora, pois sempre que se conecta ao mundo virtual ainda consegue ver o mundo real. Com medo de ser descoberta e sem poder confiar em ninguém, Luna vai aprender que o melhor a fazer é seguir seus instintos…

“- Eles não sabem quem você é, ou qualquer outra coisa sobre você, porque não tem um Implante. Isso, juntando ao fato de Astra ser sua mãe, faz de você um risco que precisavam investigar.”

“Jogos Mentais” debate o poder de várias formas e sobre diversas facetas mostrando que nem sempre, ou melhor, nunca devemos confiar plenamente em uma única pessoa para ditar o que é certo ou o que é errado! Com personagens instigantes e uma protagonista que não confia em ninguém, por medo de ser presa ou algo pior, mas que ainda não conhece direito o que realmente está acontecendo; conforme a história passa, ela vai criando uma noção e por isso se desenvolve em torno de tudo. Sua personalidade de guerreira ou rebelde não é algo imposto ou que nasceu com ela, mas que foi aos poucos sendo inseridas no seu ponto de vista e nas suas características.

“Como saber o que é ou não real?”

Jogos-Mentais1

Divido em 7 partes – nunca peguei uma história que foi tão repartida em um único livro – Terry quis colocar cada fato importante em uma dessas ‘seções’, e entre a passagem de uma para a outra temos reviravoltas, sendo que nem sempre são para melhor, principalmente para o desenrolar da trama; em determinado momento me senti como se estivesse começando tudo de novo. Essa quebra no enredo foi surpreendente, mas bem frustrante, visto que parece uma grande enrolação para deixar o livro maior e ainda criar certa expectativa para as continuações, pura enganação e algo desnecessário para uma autora que não precisava usar esse impasse para dar continuidade na história.

“- Mas você sabe. E conhecimento pode ser perigoso.”

Apesar desse GRANDE problema, “Jogos Mentais” ainda é um bom início de série, pois consegue debater o poder, os perigos de nunca questionar quando tudo parece perfeito – já que a perfeição não existe e não adianta querer alcançá-la e se manter lá, visto que todos somos diferentes – e ainda conseguir trabalhar uma personagem feminina bem forte. Terry também acerta por não focar no romance, na verdade, esse primeiro livro detona qualquer forma de relacionamento, algo meio padrão para essa autora. E, além de tudo isso, Terry ainda fez uma brincadeira com a sua outra trilogia distópica, “Reiniciados”, mostrando a irracionalidade de tudo aquilo.

Gostei, mas me frustrei bastante. Porém, não é uma série que estou preparada para desistir.

yasmin
Sobre yasmin

Uma menina apaixonada por livros e que com eles já conseguiu passar por situações muitas vezes impossíveis.Curso a faculdade de jornalismo.

 

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