“Bunker” choca ao brutalizar de maneira perfeita esse thriller psicológico

EM Resenhas
yasmin
1 ano atrás

BunkerLivro: Bunker
Autor:
Kevin Brooks
Nota: 5/5
Editora: V&R Editoras
Páginas: 272

Kevin Brooks trabalha com emoções ao extremo nesse livro que foge completamente do padrão!

Como seria viver dentro de uma caixa, ou melhor, um Bunker, do qual você não consegue ver a luz do dia ou saber a data exata? Linus, depois de tentar ajudar um cego, foi posto nesse lugar sem ninguém para conversar. Pensando ser um simples sequestro – por conta do dinheiro do seu pai – ele se surpreende quando mais pessoas vão chegando pelo elevador da mesma forma que ele, sem saber o que está acontecendo ali. Enquanto tentam descobrir uma forma de escapar, os seis ‘presos’ terão que lidar com o responsável por tudo isso, que parece nutrir o complexo de Deus ao tentar controlar a vida dessas pessoas.

“Não há janelas. Nenhuma porta. O elevador é o único jeito de entrar ou sair.”

“Bunker: Diário da Agonia” foi, sem sombra de dúvida, a história mais chocante e o final mais frustrante que li em 2015! O livro, narrado pelo ponto de vista de Linus, parece mais uma conversa com um garoto que vivia na rua e agora se encontra preso sem entender o motivo de tudo aquilo e quando, ou como, vai conseguir escapar daquela situação. Capítulos que são marcados por data, personagens que aos poucos vão se transformando e mostrando suas verdadeiras características devido ao tempo passado em confinamento, o livro não é um romance de um garoto que encontra o seu final feliz no final, mas uma história brutal e assustadora que tende a mostrar o pior que existe nas pessoas.

“Às vezes parece que faz uma eternidade, outras vezes parece que acabou de acontecer.”

Kevin brinca com o psicológico de todos os personagens ao criar um inimigo inatingível, mas que controla tudo o que eles podem ou não fazer – desde a comida até algum remédio se necessário. O livro me lembrou um pouco aquela franquia de filmes de terror: “Jogos Mortais”, visto que tudo – o confinamento, a comida, a falta de privacidade ou a desesperança que escapar vivo desse lugar -, parece apenas um jogo, mas não de vida ou morte, apenas de obediência e convivência entre pessoas tão diferentes e mesquinhas, que em alguns casos parecem se preocupar mais com a sua sobrevivência do que descobrir uma maneira de escapar dali.

“Aqui embaixo é aqui embaixo. Um dia é um dia. O tempo é agora. E isso é tudo.”

Eu adorei os seis personagens, suas várias facetas e que, na verdade, revelam apenas uma no qual eles esconderam embaixo de várias camadas. Linus é um adolescente, mas que parece muito mais um adulto; esse amadurecimento dele foi o ponto principal para a história ter ficado tão viciante desde o começo, até seus momentos de reflexão são longe de ser banais ou entediantes. “Bunker” é realmente muito diferente do que já li, uma história brutal, mas sem necessariamente jorrar sangue, um thriller psicológico muito bem escrito e que vai te frustrar em alguns momentos, mas realmente vai te conquistar quando você chegar ao final dessa história.

Uma história que entrou com certeza para a minha listinha de favoritos.

yasmin
Sobre yasmin

Uma menina apaixonada por livros e que com eles já conseguiu passar por situações muitas vezes impossíveis.Curso a faculdade de jornalismo.

 

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