“O Vitral Encantando” foi uma leitura excelente enquanto durou, mas terminou de uma forma completamente frustrante

EM Resenhas
juliana
1 ano atrás

O-Vitral-EncantadoTítulo: O Vitral Encantado
Autor: Diana Wynne Jones
Tradução: Raquel Zampil
Nota: 3/5
Editora: Galera Record (Selo Galera Junior)
Páginas: 304

“O Vitral Encantado” conta a história de Andrew Hope que, após o falecimento do avô, herda o casarão em que ele morava. Mas, com isso, herda também a responsabilidade de tomar conta de um misterioso campo de proteção, que não tem a menor ideia de como funciona. Em uma manhã, recebe a visita de Aidan Cain, um órfão que após a morte da avó segue as instruções dela e vai parar naquele local. Na verdade, procurava pelo avô de Andrew, em busca de proteção, pois está sendo perseguido por criaturas mágicas. Andrew decide acolhê-lo enquanto tenta entender o que está acontecendo com o garoto – sem sequer imaginar que, na verdade, sua presença será muito importante na vida dele.

É um livro de fantasia, mas de certa forma nem parece. A Diana construiu tudo de forma tão convincente que em alguns momentos a gente nem percebe que os seres que nos são apresentados fazem parte de outro universo.

Temos muitas personagens, e todas muito bem construídas. Podemos não saber tudo sobre suas vidas, mas sabemos o suficiente para nos afeiçoar a elas ou odiá-las. Não tem ninguém de quem a gente passe a gostar mais ou menos, e ninguém que possa ser retirado da história sem fazer muita falta. As personagens secundárias são um show à parte: temos uma governanta que insiste em arrumar a casa do seu jeito, e não como o novo proprietário quer, e que sempre que está de mau-humor prepara couve-flor gratinada para o almoço e para o jantar, só porque sabe que ele odeia; um jardineiro que só entrega para serem preparados na casa os legumes e verduras que considera defeituosos, já que seu objetivo principal é conseguir prêmios no festival anual da cidade; um homem extremamente mal humorado e mal intencionado, que acredita que o limite de seu território é a sua vontade, e não alguma escritura. E esses são apenas alguns.

A diagramação é simples. As folhas são amarelas e a fonte tem um tamanho bom, tornando a leitura confortável. Gostei muito da capa, mas ela tem falhas. Representa alguns elementos importantes na história, mas nenhum deles com perfeição. Por exemplo, o cabelo do garoto é castanho, e o do adulto loiro. O vitral não é nem parecido com o retratado também. Mas a ideia principal está presente. O livro, infelizmente, tem vários problemas de revisão, basicamente concentrados em ausência de travessões e do traço para separação de sílabas.

A autora trata a magia como algo muito natural, parece que todos a possuem em algum grau. Mesmo em quem tem mais poder, ela acaba fluindo naturalmente – é claro que aumenta à medida que as pessoas adquirem conhecimento sobre ela. A narrativa da Diana é muito gostosa de acompanhar, leve e divertida. Devorei as páginas do livro em tempo recorde, e estava achando tudo excelente.

Até que cheguei ao final, e descobri que o livro simplesmente termina do nada. Descobrimos um pouco do poder do tal vitral encantado que dá nome a ele, mas quando Andrew acha que está entendendo como aquilo funciona exatamente, a história termina sem ele nos contar. E não é só isso. Acontece uma enorme reviravolta, ele recebe duas notícias bem importantes, mas aí o livro termina com a seguinte frase: “Stashe teria que ajudá-lo a tomar a decisão”. Oi? E aí, cadê a decisão? Bem, não virá nunca, não encontrei informações sobre se o livro deveria fazer parte de uma série, mas é bem provável que sim. A má notícia? Ele foi publicado em 2010, e a autora morreu em 2011, então nunca saberemos.

Isso me deixou extremamente frustrada, porque tudo que eu li realmente amei. Mas é muito ruim ficar com essa sensação de ter lido algo inacabado, e saber que não dá para mudar isso. Li outro livro da Diana antes, Tesourinha e a Bruxa, e terminei a leitura com algumas dúvidas, mas nada grave. Como me encantei com a escrita dela decidi ler mais um, mas só porque realmente pensei que fosse um livro único. Com certeza não lerei um terceiro sem ter certeza absoluta de que ela finalizou bem a história. É uma autora extremamente talentosa, mas não vou conseguir lidar com esse tipo de frustração mais uma vez.

juliana
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