Em entrevista exclusiva com John Green e Nat Wolff, saiba sobre os bastidores de “Cidades de Papel”

EM Colunas
yasmin
2 ano atrás

John Green conquistou milhares de leitores ao redor do mundo com o casal Hazel e Gus, mas com Margot e Quentin foi que conhecemos um lado mais Nerd e divertido desse autor.

Para comemorar o lançamento do Bluray de “Cidades de Papel”, em parceria com a Fox Filmes, vamos publicar uma entrevista, dividida em duas partes, na qual John Green e Nat Wolff falam um pouco como foi participar em conjunto também neste filme.

A entrevista está super divertida!

Nat, você declarou que “Cidades de Papel” se tornou seu livro favorito de John e que você se conectou imediatamente com Quentin. O que tornou o livro tão especial para você e o que fez com que você se conectasse com Quentin tão rapidamente?

Nat Wolff: Acredito que minha conexão foi com Quentin e Margot, e com a amizade deles. Eu já fui um Quentin em certo ponto da minha vida, não quando o interpretei, mas a sensação que tive é de que tinha entrado numa máquina do tempo, de volta a um período de minha vida no qual eu realmente tive dois melhores amigos e ficávamos juntos o tempo todo.

Eu também ficava apaixonado por garotas de um jeito constrangedor, pois eu projetava meu ideal de garota perfeita nelas em vez de apenas ir lá e conversar com elas, escutando o que elas tinham a dizer.

Mas ao mesmo tempo, houve um período no qual eu era um pouco mais inocente, e acho que durante a experiência de participar de “Cidades de Papel”, todos nós pudemos ficar naquele mundo, pelo menos durante as filmagens. No final, foi como sair de uma neblina; eu não queria sair do mundo de “Cidades de Papel”, era melhor do que viver no mundo real.

O que os jovens podem aprender ao se abordar sobre a questão da morte? Foi um tema muito importante no último filme e também no começo deste.

John Green: Uma das dificuldades de ser um adolescente é que você tem de lidar com a morte e a perda, além da brevidade de todas as experiências humanas e ser separado de seus pais e familiares, e tudo pela primeira vez na vida.

Agora quando sou eu que penso sobre morte e perda, eu tenho algumas décadas de pensamentos sobre isso no meu passado. Espero ser capaz de ter novas perspectivas e maneiras de pensar sobre o mundo, mas eu acredito que nunca mais terei a intensidade e a experiência intelectual [que tive na adolescência]. Provavelmente é por isso que eu me voltei para isso, porque acredito que é algo que os adolescentes estão lidando como seres dominantes, e o fazem de formas bem interessantes.

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Vocês têm algumas histórias interessantes de bastidores, relacionadas a cenas específicas, que as pessoas possam procurá-las quando assistirem ao filme novamente em casa?

John Green: Eu estou no filme, talvez você não tenha notado, mas participo do filme. Não com meu rosto, mas com minha voz. Minha voz está no filme se você prestar bastante atenção vai me escutar.

Nat Wolff: Foi uma atuação realmente incrível.

John Green: Foi mesmo incrível, Nat foi meu preparador de cena.

Nat Wolff: Ele é tão sutil que você nem pode vê-lo.

John Green: Não estou lá, mas minha voz sim, narrando a história, e sou incrível, sou realmente bom nisso.

Nat Wolff: É uma das mais incríveis atuações que já vi.

John Green: Obrigado, cara.

Nat Wolff: É na parte em que o pai de Becca atira. E ele grita um pouco.

John Green: Sou a voz do pai da Becca.

Nat Wolff: Nós trabalhamos nisso por semanas, fizemos um pouco de desenvolvimento de personagem, alguns exercícios do método Meisner…

John Green: Eu realmente fiquei o tempo todo emergido no mundo do pai da Becca. E quando tive de sair, eu senti como se estivesse dentro de uma névoa; senti muita falta de ser o pai da Becca (risos).

E quanto a você, Nat?

Nat Wolff: Teve um momento engraçado durante a filmagem de uma cena com a Cara, na qual estávamos fora de um mercado, e ela está no meio de uma fila… E isso mostra o quanto ela é espontânea, natural e engraçada, porque ela está no meio de uma fila dizendo “Quentin, eu…” e do nada ela fica com o olhar perdido, e eu fiquei pensando para o quê ela estava olhando, e ela vai e me pergunta: “Aquilo é um toboágua?!”

Então na hora do almoço ela atravessou a rua correndo para ir ao parque aquático e comprou ingressos para todo o elenco ir, então naquele fim de semana todos nós fomos pra lá e escorregamos o dia inteiro no toboágua; aquilo foi incrível.

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Qual cena exigiu mais tomadas?

Nat Wolff: É estranho, na maioria das vezes são aquelas tipo: “Pegue um alfinete e olhe em volta!” Essas cenas. Ah, de lanternas – sou péssimo quando tenho de atuar com uma lanterna. Você tem de “Virar a lanterna pra cá, depois pra ali, depois lá…”

John Green: E fazer de um jeito que pareça natural. Quando começamos essa parte, tivemos a impressão que Nat talvez nunca tivesse usado uma lanterna antes na vida. Mas você se tornou um profissional nisso, cara. No final, você já era um ator espetacular na arte da lanterna.

Nat Wolff: Dirigir os carros também foi bem difícil.

John Green: Sim, as cenas dirigindo precisaram de muitas tomadas.

Nat Wolff: Eu tirei minha carteira de habilitação antes de começar o filme. A Fox me disse: “Você fará um filme que se passa na estrada, Nat, você tem de tirar sua habilitação.” Então eu só tinha carteira há duas semanas. E nem era impressa ainda, mas eu tinha passado no teste. Então eu não estive com minha habilitação o tempo todo. Eu não tinha nada comigo que comprovasse que eu tinha uma, mas eu tinha feito o teste e passei por uns dois pontos.

Eu era o pior motorista na face da Terra e ninguém queria dirigir comigo na vida real. Mas a Cara foi bem gentil no set de filmagens. Ela foi a única que me apoiou e me disse que eu conseguiria dirigir em apenas algumas cenas. Só depois que percebi que a Cara é até pior motorista do que eu.

Qual seu filme favorito?

Nat Wolff: Gosto de muitos filmes dos anos 1970, como “A Primeira Noite de Um Homem” e “Taxi Driver”. Também amo Woody Allen; amo “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Amo “Spinal Tap”.

John Green: Meu filme favorito é “Três É Demais”.

É um filme empolgante e tocante, como vocês se sentiram quando o assistiram pela primeira vez acompanhados de uma plateia?

Nat Wolff:  Teve só uma cena na qual Margot me leva para sair à noite, apenas esta parte, com uma plateia. E eles captaram todas as nuances, e seguravam a respiração em determinado momentos. Estavam todos tão em sintonia, isso me deixou muito animado.

John Green: Foi incrível, foi espetacular.

E a sua música que faz parte do filme?

Nat Wolff: Esta é uma música que escrevi chamada ‘Look Outside’ que foi gravada com o meu irmão e escrita logo depois que as filmagens terminaram, não foi exatamente inspirada no filme, foi mais inspirada pela experiência de participar do filme, e eu fiquei naquela depressão estranha depois que eu terminei, e escrevi a música nesse período. Jake escutou a música, e ele recentemente me disse que a colocaram nos créditos finais e na trilha sonora. Isso me deixou muito feliz, porque essas são minhas duas paixões. Tocar com meu irmão e atuar são as duas coisas que mais amo, então é incrível que teve essa junção das duas.

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Até que ponto a personagem de Margot desafia as expectativas do que é ser uma mulher?

John Green: Um dos desafios que Margot enfrenta é esse, se um cara fizesse todas essas coisas, ele teria sido tratado de forma bem diferente da que Margot foi tratada. Margot se recusa a aceitar as expectativas que outros têm dela, ela se recusa a fazer as escolhas que a ordem social e seus pares lhe ditam, que ela supostamente deve fazer e são consideradas apropriadas.

Mesmo quando ela faz escolhas que são diferentes das que eu teria feito, ou escolhas que eu não aprovaria – isso faz parte do que admiro nela. Eu sempre me interessei por pessoas que se recusam a se encaixar dentro das expectativas que determinado sistema social tem para elas.

É especialmente difícil para jovens mulheres, há tantos limites sociais impostos para o comportamento delas. Sempre lhes dizem o que elas podem ou não ser. ‘Spiegelman’ é uma palavra alemã que significa “homem espelho”, e todos olham para Margot, mas não veem Margot, eles veem a si mesmos. E esta é uma tentativa de colocá-la dentro de um padrão, e ela simplesmente não aceita isso e eu admiro essa característica dela.

#tradução ~ @leilanegarcia

yasmin
Sobre yasmin

Uma menina apaixonada por livros e que com eles já conseguiu passar por situações muitas vezes impossíveis.Curso a faculdade de jornalismo.

 

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