Planeta dos Macacos: O Confronto – Matt Reeves

EM Críticas
yasmin
3 anos atrás

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Três anos depois do relançamento da franquia, com “Planeta dos Macacos: a Origem” (2011), e com um novo diretor, Matt Reeves, retoma a aventura que tem macacos inteligentes e falantes no seu centro. Na verdade, César (Andy Serkis), o líder dos macacos que emergiu no filme de 2011, é o personagem mais rico, interessante e complexo da história, deixando muito atrás seus concorrentes humanos. Fugindo do laboratório em que era submetido a experiências, ele comandou uma fuga de macacos, com uma famosa batalha no alto da ponte Golden Gate, em San Francisco, no último filme. De lá, o grupo de símios ocupou os bosques nas proximidades.

Enquanto a humanidade era dizimada por um vírus letal, a comunidade de macacos prosperou. Agora eles são muitos, vivendo pacificamente nas montanhas perto de uma San Francisco que parece vazia, totalmente devastada. Um dia, enquanto um grupo de macacos vai à caça, encontram um humano. Ele vem com uma pequena expedição que busca fazer funcionar novamente a usina de energia ali próxima. O encontro não termina bem, já que o homem atemorizado atirou num dos macacos. Só não termina em morte porque César intervém bem a tempo, expulsando os homens.

Depois de um primeiro encontro cheio de rusgas, ameaças e alguma violência, Malcolm (Jason Clarke), um engenheiro cheio de boas intenções, tenta um contato com César. Ele consegue convencer o líder a deixar os humanos entrarem no local apenas para poderem trabalhar na hidroelétrica. Koba (Toby Kebbell), o segundo em comando dos símios, tem um ódio mortal dos humanos e é voto vencido na questão. No começo, os seres humanos e os macacos trabalham em conjunto com certa harmonia, mas Koba percebe a chance de eliminar César, liderar a tribo de macacos e declarar guerra aos seres humanos.

O filme avança com tanta energia, experiência e estrondosa convicção que você rapidamente aceita sua premissa básica – o surgimento desordenado de inteligência e de consciência moral em corpos primitivos – e se vê exatamente onde os cineastas querem que você esteja, divido vertiginosamente entre a simpatia pelos macacos e pelos humanos numa ameaça iminente de guerra.

Embora este filme envolva o início de uma guerra entre humanos e macacos, esta guerra poderia representar qualquer guerra entre dois clãs ou facções, com a diferença de ser ideológica, cultural ou até mesmo pela cor de sua pele. O filme mergulha no coração de uma questão que tem nos atormentado há séculos: Por que lutar uns contra os outros? Por que sair do nosso caminho para matar uns aos outros? Como estamos respeitando esse espaço territorial? Como é que as nossas ações dão origem a conflitos e nos levam a enfrentar nossos vizinhos? Nossa crise existencial parece ter nos consumido tanto que estamos sempre devastados pela guerra, sempre em conflito. “O Confronto” é um vislumbre do monstro dentro de nós mesmos. Um espelho para nossas ações no passado e no presente.

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Mais um ponto que não deve deixar de ser discutido, Andy Serkis (Simplesmente um dos, se não o maior, especialista em captura de movimentos) e sua atuação ímpar nos conquista novamente com seu trabalho de captura de movimentos excelente. É possível sentir em cada ação, fala, gesto e olhar do personagem como estamos tão acostumados a lidar com outras pessoas, tudo é crível, real e autêntico. E aqui fica a questão: Quando a academia vai indicar Andy Serkis ao prêmio de melhor ator? Quando? Todo seu trabalho, esforço e dedicação o fazem mais do que digno de uma indicação ao prêmio.

Por fim, o roteiro assinado por Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver, sustenta bem uma trama escudada em lealdade, ética, traição, ambição e confiança, numa produção que, sem dúvida, tem necessariamente que ser muito bem escorada na parte visual e sonora. A guerra que se anuncia, mais uma vez, entre humanos e macacos neste capítulo certamente fica irresolvida para o terceiro filme, previsto para 2016, novamente com Reeves no comando.

Planeta dos Macacos: O Confronto (EUA, 2014)
Direção: Matt Reeves
Estrelando: Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman
Duração: 132min
Distribuição: Fox Filmes

yasmin
Sobre yasmin

Uma menina apaixonada por livros e que com eles já conseguiu passar por situações muitas vezes impossíveis.Curso a faculdade de jornalismo.

 

COMENTÁRIOS

  • Grazi Souza

    Eu adorei o filme! Meio parado no início, mas como sua resenha deixou a entender, esse é mais meio que um filme para refletir. Acabei gostando de meia hora pro final. E cara… o César é mais humano que todos os humanos. Senti falta do James Franco. Será que rola ele no terceiro? Nem que seja uma apariçãozinha que não sejam vídeos dele com o César? xD
    Andy Serkis é MARAVILHOSO! Desde Smeagol/Gollum esse homem prova que Oscar não quer dizer naaaaaaaada sobre atuação.

  • Larissa Lindmeyer

    Nunca me entusiasmei a ver esse filme :/

  • Lissandro Lima

    Efeitos visuais belíssimos, um espetáculo visual, mas a história em si é uma merda.

  • Pamela M.

    Já ouvi bastante gente elogiar esse filme, mas não tenho nem um pouco de interesse em assistir =/
    Bjss

  • Bianca…

    O primeiro filme foi incrível e estou loooouca para ver a continuação, ainda mais depois dessa ressenha!!
    Gosto tanto da história, do César, de como a história se desenrola… e o segundo filme promete -pelos trailers e pelas resenhas- que tudo vai continuar ótimo!!! Quero ver essa guerra, ver no que vai dar essa história do Koba querer a liderança e como vai acabar tudo isso *u*
    Fora essa tecnologia que me deixa de boca aberta, pensar que o macaco é na verdade a captura de um ator real, incrível!! Meu pai vai com alguns primos meus amanhã ver o filme e vou tentar ir também (se o horário bater com o da faculdade).